Logo Loading

Enter your keyword

TURISMO AO INTERIOR DE SI MESMO: ENEAGRAMA

Em 1996 um tsunami passou em minha vida, que desencadeou uma depressão profunda e provocou muitas mudanças internas e externas. Perdi minha identidade, minha lógica capenga e todas as convicções que havia alimentado e fortalecido ao longo dos meus 37 anos. Ruiu tudo, a estrutura de vida que alimentava e, inclusive eu, ou aquilo que reconhecia como sendo eu.

Enterrar meu filho único de 14 anos me deixou assim, completamente desorientada, profundamente triste e agoniada. Tinha certeza de que não aguentaria e morreria de tanta dor, mas não morri e dia após dia ao acordar revivia a dor de sua morte e a decepção por ainda estar viva e não ter morrido. Durante três meses hibernei no verão e quando estava acordada não conseguia me reconhecer ou encontrar dentro de mim um motivo para continuar vivendo.

A vida parecia que acontecia em câmera lenta e eu agonizando dentro de um pesadelo, até que um dia fui em busca de ajuda, e conheci dois terapeutas que despertaram em mim o interesse por me conhecer, eu estava desinteressada pela vida, mas estava viva. Nesse dia comecei a busca por autoconhecimento, que era a única coisa que me importava. Fiz várias imersões, renasci, aprendi a respirar, a meditar e conheci o Eneagrama, ferramenta incrível que mostrou não quem sou, mas a complexa “caixinha” em que entrei e que torna meu comportamento mecânico e altamente previsível.

Não mostrou quem sou, afinal somos uma infinidade de possibilidades, mas nos contentamos em pensar, sentir e agir sempre da mesma forma. Ganhamos ao nascer um fantástico cérebro, uma Ferrari e o utilizamos como se fosse um fusca velho com o motor fundido, por nos considerarmos seres de hábitos ativamos sempre os mesmos circuitos neurais e usamos pouquíssimos recursos dessa máquina fenomenal.

A formação que fiz para conhecer a ferramenta foi um mergulho nas águas de um oceano de autoconhecimento que me proporcionou enxergar como minhas reações fazem parte de um certo estilo de personalidade que muitas pessoas, com pequenas diferenças, possuem. Foi devastador entender que a maioria de minhas escolhas não são minhas, mas são alternativas limitadas dos modelos de solução (algoritmos) que fazem parte de minha matriz. Até as reações expressadas pelo falecimento de meu filho estavam alinhadas com esse tipo de personalidade. Quando lia a descrição e os depoimentos de meu tipo, ficava atônita, pois eram exatamente a definição de quem eu era, ou me identificava, e os depoimentos que com certeza eu faria. Me vi como uma máquina com engrenagens que sempre me levavam a pensar, sentir e agir de forma automática que evidentemente resultavam em situações recorrentes em minha vida. O reconhecimento dessa mecanicidade é doloroso, mas torna-se libertador quando nos conscientizamos de que o “inimigo” foi identificado e entendido e agora é possível treinar a presença que é a principal estratégia para sair de muitas situações recorrentes e começar a escrever uma história diferente, baseadas em crenças mais estimulantes.

Esse mergulho no autoconhecimento me tirou do desespero e da depressão ao mesmo tempo em que me estimulou a dar continuidade a minha vida com vida. A saudade de meu filho é imensa, mas estou escrevendo minha história da melhor forma possível e utilizando os recursos internos que tenho disponível e me desafiando a me desenvolver cada vez mais.   Faço isso para honrar a minha passagem pela terra e as passagens de meus pais, Luiz e Corina e meu filho Douglas, carinhosamente chamado de Juninho.

A ferramenta Eneagrama descreve nove estilos diferentes de personalidade e suas inter-relações, e são baseados na concepção das três partes do cérebro (Neocórtex, Límbico e Reptiliano) que nos permite pensar, sentir e agir. O indivíduo é moldado pela forma como é tratado a tende a acreditar na leitura que os outros fazem dele, na maioria das vezes ele se identifica e assume a maneira como é visto. A descoberta do tipo pode ser um grande choque para o indivíduo a partir do momento que escancara limitações, opções e ponto de vista estreito e viciado, porém é necessário ir além e observar o próprio comportamento de modo imparcial, para assim, estar no controle de hábitos e aproveitar a liberdade de escolha. A força da ferramenta reside no fato de que os padrões comuns da personalidade: hábitos neuróticos são pontos de acesso para evoluir.

Encerrando, meu convite é para que se permita realizar um turismo interno que te possibilitará aproveitar ainda mais seus pontos fortes e ficar mais atento com suas fragilidades. Tenha certeza de que esse turismo interno é um processo libertador que edificará sua autoestima e sua autoconfiança e, como consequência, evolução em todas as áreas de sua vida.

No Comments

Post a Comment

Your email address will not be published.